O Campeão PARALÍMPICO, por Norberto Mourão
Norberto Mourão, 44 anos, casado, Pai e desportista paralímpico. Em 2021 conquistou várias vitórias, entre as quais o título de Campeão Europeu de Canoagem Adaptada, tendo sido também vice-campeão mundial em 200 metros VL2.
Este desportista paralímpico ficou nesta condição devido a um acidente muito grave de mota que sofreu em 2009. Chegou a estar em coma depois da cirurgia e quando acordou do coma foi uma enfermeira que lhe informação da sua situação clínica até ele ter noção que teria que amputar as pernas. Sabendo da sua realidade cortou relações com o passado e seu caminho no presente e para o futuro e assim nasceu sua paixão pela canoagem. Foi uma necessidade para ajudar no seu processo de reabilitação. Em 2010 experimentou esta modalidade e, no ano seguinte começou a treinar com regularidade.
Assume que participar nos jogos paralímpicos é um milagre e ter o seu lugar na competição, estando entre os dez melhores do mundo e conseguindo representar as cores do nosso país é uma sensação extraordinária.
Apesar da pressão os Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020 conquistou a medalha de bronze na competição e em 2021 foi campeão europeu ainda que as suas condiçoes físicas e as condições meteorológicas da altura fossem bastantes complicadas, venceu. Em 2024 nos paralímpicos de Paris ficou em 4ºlugar, mas nunca desistiu de alcançar os seus sonhos.
Conheceu a sua esposa na universidade e, na altura, existia uma curiosidade dela em conhecê-lo e em perceber a forma como ele encarava a sua condição física limitada. Acredita que não foi amor à primeira vista, mas que foi amor para a vida pela cumplicidade que, ainda hoje, existe entre eles.
Descreve-a como uma mulher extraordinária, com um coração enorme e sempre com muito amor para dar.
O sonho da paternidade realizou-se com o nascimento do seu filho Gustavo. O dia em que nasceu foi algo extraordinário, mágico. Norberto espera que ele goste de desporto como o progenitor.
Nesta entrevista ao Love with Pepper, o atleta fala-nos da força de vontade e da resiliência que o definem. Salienta que nunca olhou para trás e que, atualmente, considera que a mudança na vida foi para melhor apesar das adversidades e obstáculos que esta o colocaram.
Como é que é vivida a sexualidade dentro do desporto?
De forma normal e natural, óbvio que não tenho as pernas, mas tive e ainda tenho de me adaptar à minha condição.
O que mudou na relação com o seu corpo e de que forma esta afetou a sua autoestima e sexualidade?
Antes de ter tido o acidente não era muito de namorar. Só depois do acidente é que comecei a descobrir mais a sexualidade e o amor, embora com aqueles receios iniciais, mas com o tempo tudo acontece naturalmente.
O que é mais importante na intimidade e na relação do casal para permanecer o amor?
Na minha opinião é a confiança, porque se um casal trabalhar em conjunto e entre ajuda e se a amizade existir a felicidade surge e tudo funciona.
Que desafios enfrentou na sua nova condição para ter uma sexualidade prazerosa e satisfatória?
O facto de não ter as pernas é um bocado diferente, e tive que aprender a ver o meu corpo de outra forma, mas existem mil e uma maneiras e formas de nos adaptarmos a tudo o que nos faça sentir bem. Tem de se dar asas à nossa imaginação, com ou sem pernas.
De que forma esta condição lhe afetou o nível de prazer, desejo, libido e a saúde mental?
Não mudou nada, apenas fiquei sem as pernas e tudo funciona normalmente.
Considera que em pleno sec. XXI a sexualidade na deficiência ainda é tabu?
Sim, ainda existe muito tabu. A nossa sociedade pensa que quem tem uma deficiencia ou limitação, quer física, quer psíquica, não tem vida sexual nem sexualidade. Acredito que a falta de informação leve ao desconhecimento deste assunto e de qualquer tema ligado à deficiência.
Acha que o nosso SNS tem profissionais de saúde para lidar com pessoas com deficiência?
No meu caso em particular eu acredito que sim. Pelas memórias que tenho senti-me apoiado e tive excelentes profissionais no meu processo de reabilitação e sempre fui ter ao lugar certo. Mas nunca nenhum profissional de saúde abordou o tema sexualidade comigo talvez porque o meu problema foi ter amputado as pernas.
Alguma vez procurou ajuda terapêutica, quer física, quer psicológica em assuntos relacionados com a sexualidade?
Não, por acaso nunca tive necessidade de o fazer.
Quais os sonhos que ainda não realizou?
Um dos meus sonhos era constituir família, ser Pai e consegui. Talvez realizar o sonho de ser Pai novamente daqui dois a três anos. E nunca pensei que um acidente tão grave que me mudou a vida conseguisse fazer de mim o homem feliz que sou hoje e sinto-me útil ao país.
Sente-se um homem seguro a nível sexual?
Claro que sim e sem dúvidas. E sinto-me bastante bem nesse campo.
Sexualmente realizado. Vida feliz. É o lema do Love with Pepper, concorda?
Sim, concordo. Porque se nos sentirmos bem com nós próprios, quer a nível pessoal, quer a nível profissional sentir-nos-emos mais felizes e se estamos felizes, essa felicidade permanece e dura. E o sexo é o momento alivia-se o stress e tudo depois funciona de maneira melhor.
Apesar de todas as adversidades o sexo é bom?
Sem resto de dúvidas, claro que sim.
O #AMOR não tem diferença?
No #AMOR há cumplicidade e no sexo há prazer, embora os dois estejam interligados e encaixem na perfeição. Mas o #AMOR permanece sempre sem qualquer diferença.
Norberto Mourão, Paralímpico de Canoagem
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