Cozinhar sem tabus e com AMOR, por Chackall
- LoveWithPepper
- 12 de fev.
- 5 min de leitura
Chackall, nasceu na Argentina, a 5 de junho de 1972, numa noite de inverno, às 22H22, sendo esse o seu número preferido. Cresceu em Portugal.
Cresceu na cozinha do restaurante da mãe e foi obrigado a trabalhar desde muito cedo. Aos 14 anos ficou a tomar conta da cozinha. Isto durou até aos 18 anos, altura em que se fartou dos cheiros a fritos e que as mulheres fugissem dele, optando por seguir os estudos.
Licenciou-se em jornalismo e trabalhou durante sete anos num jornal, acabando como crítico de música. Demitiu-se do jornal e viajou para conhecer o mundo.
Tornou-se a apaixonar pela cozinha, seguindo instintos, ao invés de oportunidades, e acredita que é o seu karma na vida. O que inspira na cozinha este Chef são as pessoas, momentos, sensações e os cheiros.
Hoje é Chef executivo dos restaurantes: Farina by Chakall, Luz by Chakall, L’Origine by Chakall e Bistro 99 by Chakall, em Lisboa; Areal Beach Bar by Chakall e West 23 by Chakall na Lourinhã; Chakburger, em São João do Estoril; La Susy by Chakall, em Vila Nova de Gaia; e, Zapata by Chakall, no Porto. É também chef executivo do Fuel by Chakall, e consultor no Prime Beach Club em Monte Gordo, no Algarve.
É ainda responsável e chef executivo da Cozinha Divina Catering e embaixador de várias marcas e produtos, quer a nível nacional, quer internacional. Autor de vários programas de TV, em Portugal, China, Alemanha e América Latina e autor de vários livros, publicados em vários países e diferentes idiomas.
Nesta entrevista ao Love with Pepper, Chackall mostra-nos o poder na cozinha e o quanto ela pode ser divina, numa ementa com erotismo e sensualidade.
A cozinha é divina?
Claro pelo seu toque de magia.
O que há em comum entre a cozinha e a sensualidade, erotismo e sexualidade?
Está tudo ligado. Somos o que comemos, portanto, tudo o que se come tem influência em tudo. Se por acaso fizermos uma refeição pesada o ato sexual não corre da melhor maneira, portanto está tudo ligado, quer psicologicamente, quer fisicamente.
De que forma a cozinha é uma expressão artística e emocional e como é que expressa sua sensualidade e sexualidade?
A cozinha é uma necessidade, sobretudo no sentido que as pessoas precisam de comer para viver. Para um prato ser sensual ou sexual, tem que existir um motivo na pessoa que o está a cozinhar e que consiga transmitir os tais sentimentos nesse prato.
A gastronomia tem aspetos sensoriais muito fortes. Que ligação existe entre os sentidos na cozinha e na sexualidade, como o tato, o olfato e o paladar?
Os cinco sentidos são muitos importantes quando falamos de sensualidade. Em primeiro lugar, tudo começa no cheiro, por exemplo se alguém gosta de chocolate e a cozinha cheira a chocolate, obviamente há uma maior disposição para tudo. E depois o tato, o paladar, a imagem e todos os sentidos, tudo se liga.
O ato de cozinhar pode ser um gesto íntimo ou sedutor. Já usou a sua forma de cozinhar para transmitir algum sentimento como paixão ou desejo?
Claro, muitas vezes. Não é uma escolha, mas é algo que acontece. Quando se está apaixonado e se cozinha apaixonado transmite-se esse sentimento, sem dúvida alguma.
Na sua experiência como Chef, certos alimentos ou pratos podem despertar emoções ou desejos mais intensos? Quais são os "afrodisíacos" da cozinha?
Há muitos afrodisíacos na cozinha, por exemplo o marisco tem propriedades que supostamente ajudam no ato sexual. Outro exemplo é o gengibre que é um vaso dilatador, o qual faz com que o sangue circule melhor. Há muitos alimentos e ingredientes que despertam tudo que nos faça sentir bem.
O contexto cultural influência a relação entre comida e sexualidade? O que existe em comum entre tabus alimentares e tabus sexuais?
Tudo depende da educação, da maneira e forma como se cozinha e da história e simbolismo que possam estar associados ao prato. Mas como é obvio existe muito tabu sexual e alimentar.
Muitos pratos têm histórias ou simbolismos associados. Que pratos criou que representem ou celebrem o amor, a sexualidade ou a sensualidade?
Fui proprietário de um restaurante afrodisíaco em que criei um menu diferente, único e completo no campo da sexualidade e sensualidade. Tinha sobremesas com chocolate, pratos de mariscos com gengibre, tinha uma variedade grande de pratos, mas tinha um conceito com o objetivo sexual, o que é maravilhoso.
Na forma da preparação de um prato acha que é possível existir conexão com outra pessoa no campo da intimidade ou ato sexual?
Sem dúvida que existe essa possibilidade. Acho que tudo começa no momento, com a pessoa que estás, mas se estás com a pessoa errada, nada funciona.
Qual foi o momento mais marcante na sua carreira que envolveu a relação entre comida e sexualidade, seja em um prato, um evento ou uma experiência pessoal?
Acontece-me muitas vezes no meu restaurante fazer pratos e as mulheres, neste caso, dizerem que era afrodisíaco. Mas acho que não é só o prato em si, acho que deve ser a forma como o cozinho, preparo e sirvo à cliente e também acho que deve ser dos meus olhos azuis! (risos)
Se criasse um menu que explorasse a sexualidade quais seriam os pratos e os conceitos por detrás dele?
Se fosse um menu para o dia 14 de fevereiro, dia dos namorados, dia do amor, pensava no clima e no momento e também em comida leve. Começava com um cocktail com um espumante ou champanhe e algum fruto. Depois, uma entrada leve com fruta, para prato principal se calhar de colher, mas equilibrado, com milho, abóbora, batatas e alguma proteína, mas com lagosta. Para sobremesa tinha que ter chocolate e também sobre a mesa com direito a tudo! (risos)
A seu ver, cozinhar é mais um ato físico ou emocional? Qual a sua visão sobre sexualidade?
São ambas. Quando se está a trabalhar num restaurante é menos emocional, é mais físico. Mas quando se está na intimidade a cozinhar para uma pessoa, é mais emocional que físico.
De que forma a cozinha pode ensinar às pessoas sobre intimidade e conexão humana?
Depende sempre das pessoas. Qualquer arte ou profissão pode transformar-se num ato de amor ou de sexualidade. A comida tem uma vantagem que é a de ativar o paladar, o que difere em tudo.
O que é cozinhar com prazer?
Cozinhar com prazer é cozinhar com bondade e vontade para os amigos, a família, a pessoa que tu gostas e sem qualquer stress. É o não estar a pensar em outra coisa que não seja o ato de cozinhar. A cozinhar não se atinge o orgasmo, só depois! (risos)
Uma mulher conquista-se pela boca?
Depende muito de cada mulher. Há mulheres que se conquistam pela boca, outras que não, mas tudo na cozinha ajuda.
Sexualmente realizado. Vida feliz. É o lema do Love with Pepper, concorda?
Claro que sim. Porque a sexualidade é a base de tudo para o bem-estar da pessoa.
Sexo na cozinha?
Em qualquer lugar, mas com muito prazer e bons orgasmos.
Chackall, Chef
Posts recentes
Ver tudoAna Arrebentinha, o seu nome verdadeiro é Ana Campaniço. Esta alentejana herdou a alcunha "Arrebentinha" do seu pai que trabalhava numa...
21 de Março de 2025, Dia Mundial da Trissomia 21 Andreia Paes de Vasconcellos, empreendedora, casada, mãe de quatro filhos e um especial,...
Catarina Alves Costa, 32 anos, é casada, Mãe, arquiteta e é natural de Ponte de Lima. Está em fase de recuperação de um distúrbio...
Comments