A Psicologia do Corpo, por Ana Andrade
- LoveWithPepper
- 4 de mar.
- 5 min de leitura
Atualizado: 7 de mar.

Foto: Dai Moraes - Boudoir Photos
4 de Março, Dia Mundial da #Obesidade
Ana Andrade, mais conhecida por Annie, natural de Lisboa, com 40 anos de idade, considera-se uma mulher feliz, com paz de espírito e amor próprio e obesidade.
Durante o seu processo de Amor próprio começou a tratar melhor de si, regressou a consultas para fazer check-ups e descobriu um cancro da tiróide que felizmente em pouco mais de duas semanas foi diagnosticado e removido.
Obesa desde que se lembra, embora tivesse algumas alterações no seu corpo, nunca desapareceu o excesso de peso e obesidade.
Tutora de 3 gatos maravilhosos, aventureira e adepta de caminhadas, montanhismo e tatuagens. Iniciou o caminho da autoestima na transição dos 30 anos e deixou de adiar a sua vida "até ser magra" para passar a atirar-me de cabeça para as coisas que queria fazer desde sessões boudoir ao ar livre, viajar sozinha, fazer escalada e saltar de avião (duas vezes) e recentemente começou a frequentar aulas de dança do ventre e surf.
Promove a aceitação corporal e autoestima: A vida não precisa ser perfeita para ser maravilhosa, citação da Ana.
Orgulhosa do caminho que tem feito para cuidar dela viver plenamente sempre com o seu sorriso dócil.
Nesta entrevista ao Love with Pepper, Ana abre o seu coração e como encara e a relação com o seu corpo com o seu excesso de peso.
Para si o que é a obesidade?
É uma doença reconhecida pela organização mundial da saúde, que é encarada de modo simplista e julgador pela sociedade quando na realidade é uma doença complexa, com diversas dimensões e fatores envolventes.
Como vê o seu corpo e qual a relação com ele?
Durante muitos anos odiei o meu corpo e acreditava que não era merecedora de nada positivo simplesmente devido ao meu tamanho. Felizmente comecei a trabalhar a minha autoestima e hoje em dia tenho uma boa relação com o meu corpo e principalmente não me limito de viver por causa dele, mas tenho fases. Há alturas em que me amo mais e outras em que tenho de ter mais carinho na maneira como me vejo, sinto e principalmente como falo comigo.
De que forma é que o seu peso afeta na sua autoestima, sensualidade e sexualidade?
Hoje em dia sou uma mulher mais confiante independentemente do meu peso. Sei que o meu valor não se resume ao tamanho das calças nem ao valor da balança e a sensualidade é uma questão de atitude e confiança. Mas nem sempre foi assim.
Alguma vez sentiu menos desejada, atraente ou inferiorizada devido ao seu corpo?
Sim. Eu nunca fui muito tímida em relação a mostrar os meus sentimentos e ouvi muitas vezes que o meu rosto era bonito, mas que o meu corpo não era atraente. Já aceitei algumas relações na minha vida exatamente por esse sentimento de inferioridade por achar que não merecia amor por não ter aquela beleza que via nas revistas e na televisão. Mas trabalhei muito quem sou e hoje em dia a única opinião que me interessa sobre o meu corpo é a minha.
Em relação à intimidade sente-se confortável em mostrar o seu corpo em situações íntimas, tanto fisicamente quanto emocionalmente?
Sinto-me completamente à vontade com o meu corpo.
Sente dificuldade no ato sexual devido ao seu peso ou existem posições ou práticas sexuais que são mais confortáveis ou prazerosas para si?
Não sinto dificuldade, mas naturalmente há posições que o meu corpo não tem flexibilidade para fazer.
Alguma vez sentiu preconceito em relação aos relacionamentos amorosos e sexuais devido ao seu excesso de peso?
Sim, nas minhas primeiras relações era muito consciente do meu corpo e não tinha a confiança que tenho hoje em dia.
Na questão de relacionamentos, sente necessidade de comunicar com o seu parceiro como é que o excesso de peso pode influenciar na dinâmica sexual?
Não sinto essa necessidade. Acredito que a comunicação sexual é feita naturalmente quando iniciamos o contacto corporal, mesmo que possa existir um período de adaptação num novo relacionamento.
Alguma vez sentiu que alguém a procurou ou sentiu um fetiche por causa do seu corpo, ou que seu peso foi o foco central de interesse?
Sim. Já tive abordagens nesse sentido, principalmente nas redes sociais, mas não é algo que alimente nem me deixa confortável.
Como lida com comentários ou atitudes menos positivas por parte da nossa sociedade em relação ao seu corpo?
As palavras dos outros só nos afetam se deixarmos até porque diz mais sobre eles do que sobre nós. Claro que isto é mais fácil dizer que fazer. Confesso que para mim foi importante trabalhar o autoconhecimento e autoestima assim como ter uma boa rede de apoio tanto para vibrarem comigo como para me motivarem quanto estou mais fragilizada. O tempo e a experiência também foram bons professores.
Como é que lida com os padrões de beleza incutidos por parte da sociedade atual?
Estou tranquila com o facto do meu corpo não estar enquadrado no padrão atual. Não preciso disso para estar bem comigo e com a vida.
Considera que as pessoas obesas têm acessos a um SNS em que ajudam a ter cuidados com o seu corpo, saúde sexual e no tratamento do excesso de peso?
Não posso falar do SNS como um todo. Como em tudo, há bons e maus profissionais. Já tive médicos que desvalorizaram tudo o que disse e focaram-se apenas no meu peso e já tive médicos extraordinários a acompanharem o meu processo, estando ou não relacionado com o meu peso.
Sente que há escassez e dificuldade em encontrar roupas íntimas ou qualquer tipo de produtos que sejam do seu tamanho?
Atrevo-me a dizer que existem pouquíssimas opções modernas e acessíveis para grandes tamanhos. As roupas são tendencialmente mais caras e, tirando algumas exceções, ainda se alimenta a ideia que as pessoas gordas querem ou têm de esconder o corpo e as roupas refletem isso mesmo. Atualmente recorro essencialmente a lojas online que têm opções de roupa modernas e giras a valores acessíveis.
Considera que em pleno séc.XXI ainda existe muito estigma em relação à sexualidade nas mulheres obesas?
Existe muito estigma em relação à existência da pessoa obesa, em especial da mulher a nível da sexualidade (mas também em outras vertentes da vida) em que somos ou demissexualizadas ou fetizadas, mas felizmente os últimos anos têm dado visibilidade aos corpos gordos e quebrado muitos tabus.
Sexualmente realizada. Vida feliz. É o lema do Love with Pepper, concorda?
Concordo sim. Uma boa sexualidade é parte essencial para estarmos bem connosco e com a vida.
Apesar de todas as adversidades o sexo é bom?
Sim. O sexo é bom e na realidade tem melhorado com a idade.
Ana Andrade, Psicóloga
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